A LÍNGUA POMERANA DO RIO GRANDE DO SUL: REVISÃO DE LITERATURA

THE POMERANIAN LANGUAGE OF RIO GRANDE DO SUL: LITERATURE REVIEW

Resumo

O pomerano é uma língua minoritária brasileira trazida por imigrantes das terras baixas da região do Mar Báltico há quase 170 anos. A língua é falada em seis estados do Brasil, predominando no Espírito Santo e no Rio Grande do Sul. Motivados pela pesquisa de Tressmann (2006a, 2006b, 2008), os estudos e as iniciativas de manutenção da língua surgiram no estado do ES e têm influenciado também a pesquisa feita em outros estados. O objetivo deste trabalho é verificar o estado da arte da pesquisa linguística que envolve o pomerano do RS. Para tanto, estabeleceu-se como método a revisão da literatura, buscando-se, em bases de dados, artigos científicos completos, dissertações de mestrado e teses de doutorado por meio da palavra-chave “pomerano”, sem estabelecer restrição quanto ao ano de publicação. Foram encontrados 20 estudos que se encaixaram nos critérios da revisão. Os resultados da revisão revelam diferentes possibilidades de investigação sobre uma língua. Por outro lado, apontam lacunas relacionadas principalmente à descrição do pomerano falado no RS, à escrita e às políticas linguísticas. Estudos sobre o pomerano e o bilinguismo/multilinguismo no qual ele está inserido são essenciais para criar estratégias de manutenção da língua, uma preocupação pertinente para manter sua vitalidade.

Biografia do Autor

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Mestre e Doutor em Letras pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS).

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Mestre pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel) e doutor em Letras (área de concentração: Linguística) pela PUCRS.

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Mestranda em Letras pela UFPel.

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Graduanda em Letras Português e Alemão pela UFPel.

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Publicado
2021-07-01
Como Citar
LIMBERGER, Bernardo Kolling et al. A LÍNGUA POMERANA DO RIO GRANDE DO SUL: REVISÃO DE LITERATURA. Web Revista SOCIODIALETO, [S.l.], v. 12, n. 34, p. 1 - 36, jul. 2021. ISSN 2178-1486. Disponível em: <http://sociodialeto.com.br/index.php/sociodialeto/article/view/390>. Acesso em: 18 set. 2021. doi: https://doi.org/10.48211/sociodialeto.v12i34.390.