O ROTACISMO NA FALA DE AMAPAENSES

  • Romario Duarte Sanches UEAP
  • Rosilene Miranda Gonçalves UEAP

Resumo

O artigo pretende mostrar o fenômeno do rotacismo na fala de amapaenses e como essa temática pode ser trabalhada no contexto escolar, sobretudo nas aulas de Língua Portuguesa. O objeto de estudo é a troca do fonema /L/ pela vibrante [ɾ]. Como referencial teórico têm-se os estudos dentro do escopo da Dialetologia (CARDOSO, 2010) e da Sociolinguística Educacional (BORTONI-RICARDO, 2004), além de um breve levantamento bibliográfico sobre o rotacismo no português brasileiro com base dos estudos de Costa (2007), Reis (2010) e Muniz (2019). O corpus de análise compõe os dados fonéticos do Atlas Linguístico do Amapá (ALAP) (RAZKY, RIBEIRO, SANCHES, 2017). Desta forma, a metodologia da pesquisa contempla 40 informantes amapaenses, balanceados de acordo com sexo/gênero (masculino e feminino) e faixa etária (18-30 anos e 50-75 anos), bem como a escolha das seguintes localidades/municípios: Macapá, Santana, Mazagão, Laranjal do Jari, Pedra Branca do Amapari, Porto Grande, Tartarugalzinho, Calçoene, Amapá e Oiapoque. Os vocábulos selecionados foram: clara, planta, placa e bicicleta. O estudo oferece dois tipos de discussão, a primeira consiste na apresentação de dados descritivos sobre a realização ou não realização do fenômeno do rotacismo na fala de amapaenses, chegando à conclusão de que apenas 6% dos dados analisados apresentaram a realização do fenômeno. A segunda discussão diz respeito à maneira como o rotacismo é tratado em sala de aula, pois, em sua maioria, é visto como “erro” de fala ou de escrita do português padrão. Neste sentido, sugere-se que o professor passe a identificar e a conscientizar seu aluno sobre a realidade cultural e linguística brasileira, buscando formar cidadãos autônomos, críticos e reflexivos.


ABSTRACT: The article intends to show the phenomenon of rotacism in the speech of amapaenses and how this theme can be worked in the school context, especially in Portuguese language classes. The object of study is the exchange of phoneme /L/ for vibrant [ɾ]. The theoretical framework has the studies within the scope Dialectology (CARDOSO, 2010) and Educational Sociolinguistics (BORTONI-RICARDO, 2004), as well as a brief bibliographical survey on Brazilian Portuguese rotacism based on studies by Costa (2007) , Reis (2010) and Muniz (2019). The corpus of analysis composes the phonetic data collected for the Amapá Linguistic Atlas (ALAP) (RAZKY, RIBEIRO, SANCHES, 2017). Thus, the atlas methodology includes 40 informants, balanced according to gender (male and female) and age (18-30 years and 50-75 years), besides the choices of the following localities/municipalities: Macapá, Santana, Mazagão, Laranjal do Jari, Pedra Branca do Amapari, Porto Grande, Tartarugalzinho, Calçoene, Amapá and Oiapoque. The selected words were: clara, planta, placa and bicicleta. The study offers two types of discussion; the first one is the presentation of descriptive data about the realization or non-realization of the phenomenon of rotacism in Amapá, reaching the conclusion that only 6% of the analyzed data presented the realization of the phenomenon. The second discussion concerns the way in which rotacism is treated in the classroom, as it is mostly seen as a “mistake” in standard Portuguese speech or writing. In this sense, it is suggested that the teacher identify and make his student aware of the Brazilian cultural and linguistic reality, seeking to form autonomous, critical and reflective citizens.


KEYWORDS: Dialectology. Sociolinguistics. Linguistic Variation. Rotacism.

Biografia do Autor

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Professor do Curso de Letras da Universidade do Estado do Amapá (UEAP). Doutorando em Linguística pela Universidade Federal do Pará (UFPA).

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 Acadêmica do Curso de Letras (Português-Espanhol) e bolsista de Iniciação Científica (PROBICT-UEAP).

Publicado
2020-07-13
Como Citar
SANCHES, Romario Duarte; GONÇALVES, Rosilene Miranda. O ROTACISMO NA FALA DE AMAPAENSES. Web Revista SOCIODIALETO, [S.l.], v. 10, n. 29, p. 122 - 140, jul. 2020. ISSN 2178-1486. Disponível em: <http://sociodialeto.com.br/index.php/sociodialeto/article/view/244>. Acesso em: 03 dez. 2020.