AS REALIZAÇÕES DE DATIVOS NO PORTUGUÊS ESCRITO EM TERESINA: UMA ANÁLISE VARIACIONISTA

  • Francisca Cruz Pessoa Faculdade são José dos cocais e Seduc

Resumo

Este trabalho tem como objetivo descrever e analisar, em cartas pessoais, a variação entre as realizações clíticas e não clíticas de dativo. Para a constituição do corpus, utilizamos 360 cartas escritas por estudantes das séries finais do Ensino Fundamental e do Ensino Médio, extraídas do Banco de Dados do Projeto Escrita Teresinense da Universidade Federal de Minas Gerais (PESSOA, em andamento). De cada série, trabalhamos com amostra de cartas de 120 informantes, sessenta da escola pública e sessenta da escola privada. As variáveis linguísticas observadas foram: a realização do objeto direto, a realização do sujeito, a pessoa, o tipo de verbo, a estrutura do DP objeto direto e o tipo de preposição. Já as variáveis extralinguísticas observadas foram: grupo social, sexo, escolaridade e idade. Utilizamos como ferramenta estatística para o tratamento da regra variável o Programa Goldvarb (2001). O problema a ser investigado é verificar se as generalizações obtidas sobre uso de dativos na amostra de entrevistas com informantes teresinenses (PESSOA, 2017) são adequadas para descrever e explicar os dativos analisados em cartas de estudantes da mesma cidade. As generalizações a serem testadas são: há um uso mais frequente de variante clítica do que da variante não clítica. O fator pessoa é significativo, sendo a variante clítica favorecida pela primeira pessoa no Português brasileiro escrito. Uma nova hipótese, a ser testada, é se a modalidade (oral ou escrita) é um fator significativo. O presente estudo assume os pressupostos teórico-metodológicos da sociolinguística variacionista (LABOV [1972], 2008; 1994). A noção de comunidade de fala é a de Guy (1988). Os resultados desse estudo permitiram confirmar as hipóteses testadas e, desse modo, contribuir para ampliar nosso conhecimento sobre textos escritos produzidos por estudantes nascidos na cidade de Teresina (Piauí).


ABSTRACT: This paper aims to describe and analyze, in personal letters, the variation between clitic and nonclitical dative achievements. For the constitution of the corpus, we used 360 letters written by students of the final grades of Elementary and High School, extracted from the Teresinense Writing Project Database of the Federal University of Minas Gerais (PESSOA, in progress). From each grade, we worked with a sample of letters from 120 informants, sixty from the public school and sixty from the private school. The linguistic variables observed were: the realization of the direct object, the realization of the subject, the person, the verb type, the structure of the direct object DP and the type of preposition. The extralinguistic variables observed were: social group, gender, education and age. We used as a statistical tool for the treatment of the variable rule the Goldvarb Program (2001). The problem to be investigated is to verify if the generalizations obtained about dative use in the sample of interviews with Teresian informants (PESSOA, 2017) are adequate to describe and explain the datives analyzed in letters from students of the same city. The generalizations to be tested are: there is a more frequent use of the clitic variant than the non-clitic variant. The person factor is significant, being the clitic variant favored by the first person in Brazilian Portuguese written. A new hypothesis to be tested is whether modality (oral or written) is a significant factor. This study assumes the theoretical-methodological assumptions of variational sociolinguistics (LABOV [1972], 2008; 1994). The notion of speech community is that of Guy (1988). The results of this study allowed us to confirm the hypotheses tested and thus contribute to broaden our knowledge of written texts produced by students born in the city of Teresina (Piauí).


KEYWORDS: Dative. Prepositional object. Linguistic variation. Personal letter.

Publicado
2020-07-09
Como Citar
PESSOA, Francisca Cruz. AS REALIZAÇÕES DE DATIVOS NO PORTUGUÊS ESCRITO EM TERESINA: UMA ANÁLISE VARIACIONISTA. Web Revista SOCIODIALETO, [S.l.], v. 10, n. 29, p. 66 - 86, jul. 2020. ISSN 2178-1486. Disponível em: <http://sociodialeto.com.br/index.php/sociodialeto/article/view/243>. Acesso em: 03 dez. 2020.